15.7.09

looks like we look like



dividi o balcão de madeira, que já me segurou em tantos momentos, mas que agora segura meu copo e mais alguns. pedaço de tábua caprichosamente pintado que já tanto sofreu, ouviu e agüentou. um lugar único em todo bar que acolhe apenas alguns tipos. nem todos têm permissão para ocupar o vão do balcão. nem todos o querem, é verdade. mas o que importa? o balcão virou um centro logístico e de conturbada movimentação, que é molhado, riscado, sujo, todos os dias [e noites].

mas não queria falar disto. afinal, na noite fria eu me perdi em pensamentos. saí em andanças vendo tudo através dos meus óculos escuros. queria beber seriamente. contido, pensativo, sozinho. sem obrigação de ter conclusões. sem obrigação de ter que dividir a minha história com os tipos do balcão. talvez, sim, com o próprio balcão. mas até aí, tudo bem. lá estava eu: sem reação, sem expressão. escondido em meus óculos escuros.

o balcão mesmo não me reconheceu. atento, mas desconfortável com minha estranha reação a movimentação alheia, dos outros tipos. bebi, cerimoniosamente, tentando [eu acho] organizar meus pensamentos. não consegui. mas não foi culpa do balcão. parei lá fora. e fiquei sentindo o ar gelado batendo suave nos meus óculos escuros. e eu não sabia onde os levaria.

13.7.09

avant-garde

ouvi falar que o MJ era um cara a frente do nosso tempo e também azarado.
agora entendo: há tempos que ele usava máscara para se proteger da gripe. a parte do azar foi que ele morreu por outro motivo.

11.7.09

saturday rainy morning


thank you lily, thank you very much.


Wander Wildner és un un menestrel apasionado por la vida.


Hard Headed Woman.

10.7.09

ela tá bêbada

- boa noite!
- opa! tá tudo bem?
- claro! ótimo! aliás...
- ...
- é, super bem. super.
- é a tua mulher no carro? ela tá bem?
- ... [olhando pra fora]
- ela parece estar mal.
- não, ela tá criando coragem para sair do carro. tá frio, né.
olho pra fora e vejo uma mulher que parecia o slot, dos Goonies, tentando se soltar das correntes. algo bem... natural. e adequado.
- é, tá sim. aqui dentro da pousada que tá bom. agradável.
- qual o meu quarto?
- não sei, cara, não trabalho aqui.
- ah tá.
- tua mulher não sabe?
- não, ela tá bêbada.
- ...
- mas tudo bem, importante é que eu consegui entrar.

9.7.09

pensas como eu penso, ou não


Miss Hepburn

28.6.09

BsAs - Parte 2


sem tempo para bloggar. postei este vídeo que gravei no café tortoni, lugar muito bonito. foi uma farra de "los dos hermanos" com churros.

25.6.09

sono

minha tática de colocar o celular para despertar no chão, longe da cama, funcionou: não perdi o avião.
acordei puto e impressionado com a minha capacidade de pensar em uma estratégia dessas totalmente manguaçado.
e claro, foi uma fiasqueira a forma como eu dormi no avião.

21.6.09

cooking at home

há tempos que queria cozinhar

Comprei o livro do Jamie Oliver na Amazon que é sensacional. Além de muito bonito, tem dicas excelentes e receitas com cara de serem deliciosas (no melhor estilo pepper-garlic-ginger-rosemary que ele tem). Mas é preciso já ter uma idéia das loucuras que o cara faz (ter assistido algum programa de TV dele), e mesmo uma certa experiência na cozinha, porque há coisas bem difíceis de entender.
Como acordei inspirado e com saudades de minhas aventuras culinárias, decidi arriscar e seguir uma das receitas originais do Jamie: roasted concertina squid with grilled leeks and a warm chorizo dressing. Algo do tipo "lula grelhada, vegetais no vapor com topping de linguicinha e tentáculos da lula". O mais non-sense (que já é previsível do cara) é que vai cebolinha inteira (eu incluí alho poró para dar uma diferenciada) junto com o radiccio. E a linguicinha salteada é realmente um sabor diferente no meio da lula, fica ótimo.
Adoro lula, adoro vegetais, e a receita parecia mesmo ser bem diferente, mas fiz também uns filés de peixe para acompanhar (e ser suficiente para 2 esfomeados). O Felitti me deu uma mão na limpeza das lulas. E tá aí o resultado:

Não ficou exatamente igual ao prato dele (óbvio, dificilmente isto aconteceria). Mas, modéstia a parte, ficou sensacional.

20.6.09

BsAs - Parte 1

Reminiscências de uma viagem passada.


Havia tempos que queria conhecer a "capital federal" celeste. Pois bem, fui para Buenos Aires, com minha irmã. Depois de certa insistência por uma viagem entre "hermanos", agitei toda a logística com ela. Estava amuado, e passar um feriadinho longe de tudo ia ser bom.

As dicas
Fui coletando dicas e informações de tudo quanto é lado:
Ariel Palacios, Ricardo Freire, Destemperados, Guilherme, Canastra, Michele, Marcelo, Dani, Carol.
De alguns guias também:
Guía Oleo (restaurantes, cafés e bares), Welcome San Telmo, Vuenos Airez, Oh! Buenos Aires.

O câmbio
O principal para quem vai é se ligar no câmbio. Trocar Reais por Pesos é fácil. No aeroporto a dica é trocar no quiosque do Banco Ciudad, já no saguão do aeroporto. Parece um pouco confuso a saída do desembarque pois existem vários quiosques de táxi, locadoras, empresas de turismo. Passa tudo isto, até dar de cara na parede de vidro, aí é só virar a direita. Não é preciso grandes quantias, o suficiente para pegar um táxi até a cidade (o transfer), mais alguns trocados para pegar o Subte (o metrô) e eventualmente pagar o hostel (depende de como foi a tua negociação).
Já na cidade, a dica é procurar o cruzamento da Calle Sarmiento com San Martin (no microcentro, dá para chegar pelo subte Florida). Existem vários bancos e casas de câmbio. A mais em conta que achei é o Banco Piano. Todos eles estampam a cotação do momento em painéis eletrônicos, fica fácil comparar. Dá para ter uma idéia da cotação aqui.

Hospedagem
Hostel Inn Buenos Aires - Lugar pequeno, parece com os hostels antigões da Europa. O café-da-manhã é extremamente simples. A galera é bem cordial e dá dicas legais. O lugar é bem limpo, tem 3 banheiros coletivos por andar (sempre tem algum livre). Fica no coração do San Telmo, perto do Subte San Juan, facilitou bastante a nossa "logística". Ah, e é baratinho.

Comes e Bebes
Bar Plaza Dorrego - Como o nome já diz fica na Plaza Dorrego, onde rola a feirona de San Telmo. O lugar é velho, um pouco sujo, cheio de tralhas, paredes e móveis riscados, mas muito legal. Foi nossa primeira parada. A pedida é a Quilmes Stout acompanhada de uma generosa porção cortesia de amendoins [com casca]. E não precisa se preocupar, pode jogar as cascas na mesa ou no chão mesmo.
La Caballeriza - Parilla de respeito no Puerto Madero. O lugar é lindo [tanto o Porto como o restaurante], com ótimas opções no menu, como a Papa Frita Provençal e a Insalata Mista. Claro, tem as carnes. Os vinhos tem preços bem camaradas, vale a pena. Conta pra dois: ARP $148.
Minga - Ótima opção em Palermo para comer parilla. Tem uma varanda com aquecedores, e mesmo com o frio trincante da rua, lá era quentinho. Dentro o restaurante é todo moderno, com um projeto arquitetônico bem interessante. A pedida foi matambrito, macio como filé. O atendimento é muito bom [coisa rara em BsAs]. Conta pra dois: ARP $98.
La Payana - Decidimos nos aventurar por um restaurante de "cocina porteña" em Palermo. Um prato e uma entrada daria perfeitamente para 2 pessoas. Estávamos com muita fome depois de um dia inteiro de pernadas, então pedimos uma salada de entrada e dois pratos. Foi aí que nasceu nossa nova piada interna: horse, ou two eggs, ou seja lá o que fosse para lembrar da quantidade de comida naquele jantar. Destaque para a Stella Artois de litro! Conta pra dois: ARP $101.
Buller Brewing Company - Microcervejaria na Recoleta que não dispõe de cervejas para viagem. Toda a produção dela é para consumo no restaurante, que parece um bistrô ou pub, mas que a noite vira balada com 2 andares. São 6 tipos de cerveja: a tradicional Lager, a Weiss (não gostei muito), a India Pale Ale, a Oktoberfest (mais amarga, muito boa), a Honey (que, claro, leva mel, muito boa), e a tradicional Stout. Eles têm um menu degustação com copinhos, e também servem pint de todas elas. Conta pra dois: ARP $86.
La Biela - Café na Recoleta, bem na esquina da rua que dá acesso a praça. Dentro do café os preços são 20% mais baratos. Sim, se tu quiseres tomar um café e comer uma media luna (vulgo croissant sem recheio) no lado de fora, é bem mais caro. Os garçons são demorados, mas o lugar é bonito, compensa o atendimento sofrível. Conta pra dois ARP $20.
Café Tortoni - Um lugar clássico de Buenos Aires, na Avenida de Mayo, o café mais antigo em atividade. E mais movimentado por turistas sem noção que tiram foto de tudo e filmam até a mãe tirando pedaço de chocolate entre os dentes. Mas enfim, não se sinta incomodado e aproveite. O lugar é incrível, com uma cuidadosa decoração. Abriga shows de tango a noite e de dia funciona como o café de sempre, mas que também serve refeições. A pedida são os churros (que por aqui não tem recheio) com porção de doce de leite. Dê uma gorjeta (propina) para o garçon, ele vai ficar tão feliz que vai sair todo atrapalhado de tanto agradecer. Conta pra dois: ARP $108.
Freddo - Tanto o café como a gelateria são ótimas. Eu nunca fui fã de drinks de café, mas o que eles têm com doce de leite, vale muito a pena. É imperdível. Eles tem sorvetes bem estranhos (milho, por exemplo, um clássico do veraneio gaúcho), mas tem o de doce de leite com chocolate e o melhor: melão. ARP $28.

Achados
La Esquina de las Flores - Empanadas orgânicas com massa integral. Sensacionais! Achei dando banda em Palermo enquanto a Milena fuçava nas lojas. Cada uma sai por ARP $3.
Patio Cervecero - Na Plaza Dorrego em San Telmo. Nada de mais neste boteco, passaria despercebido. Se não fosse por eles terem a cerveja Duff. Sim, a cerveja dos Simpsons! Sensacional. Sai caro, mas é legal, né: ARP $14.

Habituais
Havanna - É mato em Buenos Aires, tem em tudo quanto é lugar. Porém, algumas tem o atendimento péssimo. Portanto, nem espere: levante, atravesse a rua e entre na próxima. Café com alfajor todos os dias, virou hábito. ARP $8.

5.6.09

pérolas matinais

6 da manhã

Taxista destruindo no portuñol para Colombiano:
"- Corinthians! Time de Ronaldo, o Femônemo!"

O mesmo taxista e sua interjeição de espanto em portuñol:
"- Ai, ai, ai!" (Gritado como um legítimo mexicano, que ele não é).

O mesmo taxista vira e grita pra mim:
"- Para donde vás?"
Pensei em voz alta: Eu não sou colombiano, nem surdo, seu imbecil.

Tiozinho depois de analisar o balcão da cafeteria:
"- Amor, acho que vou pegar um espanado de palmito"