15.7.09

looks like we look like



dividi o balcão de madeira, que já me segurou em tantos momentos, mas que agora segura meu copo e mais alguns. pedaço de tábua caprichosamente pintado que já tanto sofreu, ouviu e agüentou. um lugar único em todo bar que acolhe apenas alguns tipos. nem todos têm permissão para ocupar o vão do balcão. nem todos o querem, é verdade. mas o que importa? o balcão virou um centro logístico e de conturbada movimentação, que é molhado, riscado, sujo, todos os dias [e noites].

mas não queria falar disto. afinal, na noite fria eu me perdi em pensamentos. saí em andanças vendo tudo através dos meus óculos escuros. queria beber seriamente. contido, pensativo, sozinho. sem obrigação de ter conclusões. sem obrigação de ter que dividir a minha história com os tipos do balcão. talvez, sim, com o próprio balcão. mas até aí, tudo bem. lá estava eu: sem reação, sem expressão. escondido em meus óculos escuros.

o balcão mesmo não me reconheceu. atento, mas desconfortável com minha estranha reação a movimentação alheia, dos outros tipos. bebi, cerimoniosamente, tentando [eu acho] organizar meus pensamentos. não consegui. mas não foi culpa do balcão. parei lá fora. e fiquei sentindo o ar gelado batendo suave nos meus óculos escuros. e eu não sabia onde os levaria.

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